quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ressaca

Volta e meia pipoca o relato de um escritor que compôs várias páginas, às vezes livros inteiros, sob o efeito de alguma droga – álcool, cannabis. Alguns pegam pesado: cocaína, Britney Spears. Grande parte deles diz que, ao reler, muito pouco do que foi escrito é realmente aproveitável.

Micro plenamente recuperado, releio o que traduzi ontem. Benzadeus, que porre. Vá lá: do total, devo aproveitar uns trinta, quarenta por cento. Grosso modo, a manhã de trabalho serviu para a observação da fauna humana – o que também não é ruim.

Só mesmo muito de quando em quando nasce um Villa-Lobos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Villa-Lobos e a Lan-House

Li, certa vez, que Villa-Lobos, quando perguntado sobre como conseguia trabalhar, compondo ao piano, em meio a um fuzuê interminável de crianças correndo ao seu redor, e pessoas falando, teria respondido: "O barulho externo não tem absolutamente nada a ver com o que estou fazendo, portanto não há problema nenhum".

Ao cabo de três horas de trabalho de tradução (e com certo êxito) numa lan-house, com o típico som bate-estaca ao fundo, adolescentes urrando de uma cabine à outra, perguntando sobre o orkut, o msn e o diabo, é inevitável a lembrança do maestro.

Terei entrado numa bolha, sem perceber?

Quantos compassos Villa seria capaz de produzir, cá onde estou?

Nossos comerciais, por favor

Assim pedia Flávio Cavalcante, na década de 70, e assim terei que pedir agora. Deu um apagão geral, por aqui, e meu micro vai hoje para a UTI, onde ficará respirando com/entre aparelhos. Momentos de vigília no Recanto Pau D'Alho. Volto em breve.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Palíndromos (3)

Neste, o protagonista é meu filhote. Uma homenagem às avessas, por assim dizer:

LIVIO FOI VIL

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ops!

Em idioma estrangeiro, frequentemente há linha cruzada. Ou então gafes.

As cenas a seguir são de tempos idos, ambientadas em outras latitudes. Nos dedos de um ficcionista habilidoso, viravam conto. Aqui, quando muito, (ana)crônicas.

1. Oxford. Espero meu filho à saída da escola. Aproxima-se uma mãe, e puxa o papo de sempre:

– Cold, isn’t it?
– Ô! *
– Warm**? You find it warm?

* Como pode, uma interjeição tão expressiva não significar xongas para eles?
**No sotaque inglês, o “r” praticamente não é mais pronunciado. Nos EUA, claro que nada teria acontecido.

2. Paris. Converso alguns minutos, ao telefone, com um professor universitário de lá. No final, recebo um elogio dele ao meu francês (fizera bons progressos, em poucos meses na cidade). Eu já o conhecia do Brasil; tínhamos, portanto, um pouquito de intimidade. Mas, ao despedir, soltei:

– Au revoir, alors. Je t’embrasse.

Silêncio mortal do outro lado da linha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

De pragas urbanas e leis

Lembra-se do tempo em que você ia a um restaurante e não havia tevê ligada ao fundo? Quando era possível ler dentro de um ônibus em movimento sem que a passageira ao seu lado começasse uma D.R. com o namorado, via celular? Hoje, além de tais cenas terem sido incorporadas à paisagem, o celular funciona como aparelho de som e é ligado no volume 15 dentro do metrô ou do ônibus. Olho ao redor, buscando cumplicidade para meu pasmo, e nada. Hipótese: está em curso um processo generalizado de embotamento dos sentidos. Ou então é o blogueiro que está ficando senil.

Ora, se dirijo pelas ruas com o som ligado em 120 decibéis, se meu I-Pod é perfeitamente audível a dez bancos de distância, no ônibus, estou tratando o espaço público como privado. A rua e o ônibus como extensão de meu próprio quarto. E cadê o moral que me dá o direito de ficar indignado com Sarney, com o Senado etc? Não estou fazendo mixórdia parecida?

Está em vigor a lei anti-fumo em locais públicos em SP. Inspirada nela, não caberia discutir a viabilidade de uma lei anti-música ambiente?